Escondendo a bomba de insulina nas roupas

Vou começar esse post dizendo que hoje em dia eu já aprendi 100% a conviver com minha bomba de insulina e não tenho vergonha nenhuma dela. Ando com ela no bolso, na cintura, no braço, não me importo se ela está aparecendo ou se está escondida.

Mas entendo que muita gente tem essa dúvida (se dá pra esconder a bomba na roupa) quando vai começar a usar a bomba de insulina, afinal, foi esse mesmo sentimento que me desestimulou desse tratamento 1 ano antes de minha médica conseguir me convencer a fazer o teste.

Lembro que tudo que eu pensava era:
  • Isso vai ficar pendurado em mim 24h?
  • Será que dá para esconder?
  • Como vou esconder?
  • Vou ter que parar de usar certas roupas, como saias, vestidos e peças justas?

Mas depois que a bomba deu um UP na minha qualidade de vida, percebi que essa coisa de aparência era besteira da minha cabeça. E depois que eu fiz as pazes com a bomba, nem me importo se os curiosos olham ou perguntam. Aliás, eu adoro responder todas as perguntas que me fazem ;D

Mas vamos ao assunto do post de hoje: como incluir a bomba de insulina no seu look do dia.

Se a intenção é de fato esconder a bomba, deixo aqui algumas dicas, mas nem sempre é preciso escondê-la, lembrem-se disso e sejam livres e felizes!

Calça jeans
Essa, para mim, é a mais fácil: coloco no bolso de trás e pronto.



Mas também dá pra colocar na parte de trás do cós, por dentro. Assim não marca nada.




Saias e vestidos
Tenho três opções:
A primeira é uma bolsinha de colocar em volta da cintura, que comprei na revista Avon e custa por volta de R$ 10,00. Tenho nas cores preta e nude. Se for uma saia de cor clara, uso a nude. Se não, uso a preta mesmo.






video

Essa é uma opção para aquelas saias e vestidos que são mais soltinhos. Se for uma peça mais justa no corpo, use a segunda opção: na parte de trás do cós, por dentro.




A terceira opção é mudar o foco para a parte superior, ou seja, presa no sutiã. Não vou mostrar com fotos porque não sou adepta aos nudes hahaha.

Shorts
Aqui funciona mais ou menos como a calça jeans: bolso de trás ou parte de trás do cós, por dentro.



Alguns shorts têm bolsos na parte da frente, o que também se torna uma boa opção para prender a bomba.


Legging
Quando o cateter da bomba está na perna, a legging costuma marcar bastante, principalmente se o tecido for suplex. Fora essa observação, uso legging normalmente no meu dia a dia e prendo a bomba na parte de trás do cós, por dentro.




Academia
As roupas de academia são sempre mais justas. E para facilitar a mobilidade durante os exercícios, eu prefiro usar uma braçadeira para celular.
Essa que eu uso é de malha, acho muito mais confortável do que aquelas de neoprene.



Primeiro eu visto o top, em seguida coloco a bomba com a braçadeira no braço e só depois eu visto a camiseta por cima. Isso faz com que o fio do cateter fique dentro da blusa, minimizando o risco de se prender e enroscar em algum aparelho. Além do mais, não limita a minha flexibilidade já que o fio do cateter tem 60 cm de comprimento.




De um modo geral, é possível perceber que os locais e formas de prender a bomba são os mesmos, ainda que para vários tipos diferentes de roupas.

Inspire-se e vá como se sentir melhor. O que importa mesmo é sentir-se bem!

Espero que tenham gostado das dicas e que elas sejam úteis para vocês.

O que não recebi em Setembro


Tem ficado cada vez pior pegar os insumos na secretaria de saúde Minas Gerais. Está faltando até insulina - que na minha opinião é o básico para o tratamento de diabetes. E digo mais: não estou vendo nenhuma luz no fim do túnel para o resto do ano.

O QUE NÃO RECEBI EM SETEMBRO:

Conjunto de infusão Paradigm Quick Set MMT 399 - 6mm, tubo de 60 cm, caixa com 10 unidades - 1 caixa/mês
Enlite Sensor de glicose MMT 7008A - caixa com 5 unidades e 10 adesivos externos - 1 caixa/mês (PELO 5º MÊS CONSECUTIVO)
Fitas de glicemia capilar
- Insulina Humalog - 2 frascos/mês

Mais uma vez: chateada. Não tenho retorno da secretaria de saúde, nem dos advogados internos que ficam na cidade administrativa cuidando dos casos e o pior: nem da minha própria advogada eu tenho retorno.

Festival de Gastronomia em Tiradentes

Mais um bate e volta, dessa vez para Tirandentes - MG.


Era domingão e saí cedo para chegar lá por volta do horário de almoço e aproveitar o Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes. Aí você já pensa: viagem que envolve comida rsrs. Vai ser um desafio controlar a glicemia.

E o desafio começa cedo, porque o diabetes não dá férias pra gente, né?!
Tem dias que o nosso corpo reage de forma diferente para as mesmas refeições que comemos. Comigo isso acontece às vezes, e aconteceu nesse dia da viagem. Acordei às 8h. Glicemia jejum com número mágico: 100 mg/dL. No café da manhã comi a mesma coisa que como todos os dias, mesma quantidade de carboidratos, mesma quantidade de insulina a ser aplicada. Saí de casa feliz!

A viagem de BH a Tiradentes de carro dura por volta de 3h. Mas já na primeira hora de viagem, hipoglicemia de 50 mg/dL.

Acontece que eu vacilei. Vacilei como se eu nunca tivesse viajado antes na minha vida: como eu iria ir e voltar no mesmo dia, preparei uma bolsinha com meus documentos, dinheiro, celular, glicosímetro e 11 balas. Só 11 balas! Onde eu estava com a cabeça?

Não sei. Até agora estou tentando entender onde estava minha cabeça quando eu coloquei apenas 11 balas na bolsa. E se eu tivesse 2 hipoglicemias durante o trajeto da viagem? E se tivesse outra hipo na volta?

Só nessa crise de hipo na estrada já foram 4 balas. Gente, a coisa não é brincadeira, não cometam o mesmo erro que eu. Eu pensei que seria difícil controlar a glicemia porque ela iria subir, já que no festival as comidas eram diferentonas. Mas não pensei o contrário: que eu teria dificuldade de controlá-la porque ela cairia.

Convivência com o diabetes é um aprendizado constante, não adianta achar que já sabe de tudo. Graças a Deus não tive outra crise de hipo durante o resto do dia.

No festival, tinham várias comidas que eu não comia hahaha, tipo frutos do mar. As comidas servidas nos stands eram bem diferentes mesmo, experimentei algumas como doce de abóbora com coco e gengibre, joelho de porco e batatinhas, bolo sem glúten, mas acabei almoçando em um restaurante self-service, com arroz integral, feijão, frango grelhado, linguiça com jiló e batata frita acompanhado de coca-cola zero.


Pra fechar o dia, uma garrafinha de Skol Beats Senses, porque ninguém é de ferro.  E vamos de insulina, afinal, cerveja tem carboidratos.


Tiradentes é uma cidade histórica, assim como Ouro Preto, que é uma das cidades que mais gosto aqui em Minas. É cheia de morros com subidas íngremes em paralelepípedos e várias lojinhas de casas tombadas que vendem doces. E eu resisti a todas.



Sobre ser espontânea

Essa tal espontaneidade... Acho que a perdi há anos atrás, em meados de julho.

Ser diabética não é sinônimo de ter uma vida completamente espontânea, isso porque o diabetes requer de nós muito mais cuidados e atenção relativos ao tratamento.

O que eu quero dizer com isso? Que as coisas na vida de um diabético precisam ser organizadas e planejadas. E isso já detona a espontaneidade.

Vamos de exemplos?

Exemplo 1:
Se eu estiver na casa de amigos e eles resolverem fazer uma viagem (rápida) para algum lugar, naquela hora, eu não posso ir! Não assim, de supetão. Pense: preciso de suplementos para a bomba (em caso de uma emergência como o cateter entupir, por exemplo), eu preciso levar algumas balas (os tais 15g de carboidrato para tratar uma possível crise de hipoglicemia), seringa, bolsa térmica. Preciso saber se vamos dormir no local, se vai ter lugar para armazenar a insulina.

Exemplo 2:
Imagine que eu chego em caso do trabalho, estou no pique, animada e decidi correr uns 30 minutinhos na esteira. Posso apenas trocar de roupa, calçar um tênis e subir na esteira? Claro que não! Primeiro, eu preciso me programar para fazer exercícios físicos à noite: 1h antes é necessário diminuir a dose basal de insulina para 75%. Então, antes de iniciar o exercício é preciso medir a glicemia. Se estiver abaixo de 130 mg/dL eu preciso ingerir 15g de carboidratos, pois a possibilidade de eu ter uma crise de hipoglicemia neste horário (noturno) é maior quando pratico exercícios físicos.

Viu só?

Quando éramos adolescentes, eu e minha irmã costumávamos trocar o dia pela noite nas férias. Não tínhamos horários para comer e à noite, trocávamos fácil a janta por um pote de sorvete com castanha de caju. Se eu fizer isso hoje, meu tratamento e minhas metas de boas glicemias ficam completamente comprometidas.

Mesmo assim, eu me nego a perder 100% da espontaneidade que antes fazia parte da minha vida. Tento encontrar uma forma de equilibrar minha vida de passos planejados com minha cabeça que adora viajar e conhecer coisas novas, assim do nada!


15 dias sem o FreeStyle Libre

15 dias depois de tirar o último sensor do FreeStyle Libre ainda tenho as marcas dele no braço.

Esse segundo (e último) sensor que instalei machucou a pele quando foi retirado. O machucado deu até casquinha e isso é um bom sinal de que já está cicatrizando, mas a pele do local ficou bem ressecada e descamando.

Estou sentindo falta da liberdade que ele me proporcionava, mas voltei às várias picadinhas diárias com o Accu-chek Active.

Minhas férias acabaram então essa semana que se passou foi minha primeira semana de volta à realidade e fiquei orgulhosa de mim: durante a semana inteira não tive NENHUMA glicemia alta, controle total da situação. 

Ou seja, por mais que eu sinta falta da tecnologia cada vez mais avançada, dá sim para se controlar com o que temos.

Para monitorar a glicemia sem o Free Style Libre e sem o Enlite da Medtronic (que também não estou recebendo do Governo), é preciso de um número maior de picadinhas, eu faço por volta de 8 por dia. Diferente do FreeStyle Libre, que eu “media” cerca de 35 vezes por dia. 

Eu sei, eu sei, a louca do FreeStyle Libre: eu não conseguia me controlar, afinal o sensor já estava instalado na pele e era preciso apenas encostar o leitor perto dele, eu não gastava nenhuma tira teste então era bem mais prático. Já no caso do glicosímetro convencional, eu sempre penso nas tiras, ainda mais agora que não estou recebendo da secretaria de saúde (eles sempre me dizem que está em processo de compra, mas eu nunca acredito nessa resposta deles), por isso reduzo as medições, não dá para medir a qualquer hora, é preciso mais disciplina. Sempre faço a medição antes e 2 horas depois de cada refeição. 

Assim dá para monitorar direitinho.

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